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Tarifaço de Trump pode gerar prejuízo de R$ 152 milhões no PIB de Rondônia


Tarifaço do Trump afeta economia de RO — Foto: Reprodução/redes sociais. /// Com nova tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, exportações do estado para os EUA devem ser fortemente impactadas. Carne, soja e café estão entre os itens mais afetados

Porto Velho, Rondônia
— A economia de Rondônia poderá sofrer um duro golpe nos próximos meses com a entrada em vigor do novo pacote tarifário anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O chamado “tarifaço” estabelece uma taxa adicional de 40% sobre produtos brasileiros, elevando para 50% o total de tributos cobrados sobre as exportações enviadas ao mercado norte-americano. A medida passa a valer já na próxima quinta-feira, 6 de agosto.

Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o impacto estimado da medida sobre a economia rondoniense pode chegar a R$ 152 milhões, valor que deixaria de ser movimentado no estado em razão da queda nas exportações. Isso representa um encolhimento de até 0,20% no Produto Interno Bruto (PIB) de Rondônia.

Em 2024, o estado exportou aproximadamente US$ 122,7 milhões para os Estados Unidos, que atualmente figuram como o quinto principal destino das vendas externas rondonienses, com 4,7% de participação no total exportado.
Setores mais afetados

A indústria de transformação, responsável por 76,6% das exportações de Rondônia para os EUA, é o setor que mais sofrerá os efeitos da nova taxação. O principal produto afetado será a carne bovina desossada e congelada, responsável por US$ 43,9 milhões em exportações no último ano.

Outros produtos que passarão a ser taxados em 50% incluem:

Soja
Sebo de bovinos, ovinos ou caprinos
Carnes bovinas frescas ou refrigeradas
Café não torrado e não descafeinado

Importações e efeito em cadeia

Além das exportações, Rondônia também mantém uma relação significativa de importações com os Estados Unidos. Em 2024, o estado importou US$ 92,7 milhões em mercadorias norte-americanas, com destaque para máquinas agrícolas, aviões, produtos químicos e plásticos industriais. Com o aumento da tarifa, especialistas temem uma elevação nos custos desses insumos, o que pode gerar efeitos colaterais como inflação, perda de competitividade e até o cancelamento de contratos internacionais.

Análise econômica

Apesar do volume considerável das transações, o economista Otacílio Moreira de Carvalho afirma que o impacto direto sobre a economia de Rondônia tende a ser moderado. “Para o estado de Rondônia, o impacto está em uma situação de intermediário a baixo, uma vez que os Estados Unidos se configuram nos últimos anos como o quinto ou sexto maior destino das nossas exportações, representando atualmente menos de 5% do total exportado pelo estado”, explicou.

No entanto, ele alerta que os efeitos se concentram justamente nos produtos com maior saída para o mercado norte-americano. “No caso do café, por exemplo, o impacto pode ser minimizado devido à alta demanda global. É um produto inelástico, ou seja, mesmo com aumento no preço, o consumo tende a se manter estável”, pontua.

Quanto ao milho, o especialista destaca que, embora não esteja na lista dos mais afetados pela nova tarifa, a possível redução nas exportações pode ser compensada internamente. “O mercado interno tem ampla capacidade de absorver essa produção de milho e destiná-lo para a produção de óleo e, principalmente, de etanol”, disse.

Perspectivas

Ainda não há indicativos de que o governo brasileiro adotará medidas de retaliação ou recorrerá a instâncias internacionais, como a Organização Mundial do Comércio (OMC), para contestar a decisão americana. Enquanto isso, empresas exportadoras de Rondônia aguardam com preocupação os desdobramentos do tarifaço e seus reflexos sobre o comércio internacional e a balança comercial do estado.

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