.webp)
O vice-presidente, Geraldo Alckmin, durante cerimônia de assinatura de medida provisória que concede isenção da taxa de serviço metrológico para verificação de taxímetros. — Foto: Mateus Bonomi/Estadão Conteúdo
Porto Velho, Rondônia - Durante participação no programa Mais Você, da apresentadora Ana Maria Braga, o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, comentou sobre o tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil, com alíquotas de até 50% sobre diversos produtos nacionais. Para Alckmin, o decreto assinado pelo presidente Donald Trump “não encerra” as tratativas entre os dois países, mas marca o início de um processo mais intenso de negociação.
“A negociação não terminou hoje, ela começa hoje”, afirmou o vice-presidente ao vivo no programa matinal da TV Globo.
Apesar da formalização da medida nesta quarta-feira (30), o vice-presidente avaliou que ainda há espaço para o diálogo, especialmente em setores estratégicos. Ele classificou o tarifaço como um modelo “perde-perde”, prejudicando tanto o Brasil quanto os consumidores norte-americanos. “Nos atrapalha em mercado, emprego e crescimento, e encarece os produtos americanos”, observou.
Impactos e exceções
Segundo dados da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), embora a nova alíquota de 50% tenha sido formalizada, 694 produtos brasileiros foram excetuados, o que representa 43% das exportações do Brasil aos EUA em 2024.
Ainda de acordo com Alckmin, 35,9% das exportações brasileiras serão impactadas diretamente pela nova tarifa. O restante permanece com alíquotas anteriores ou foi poupado. Ele destacou que setores como automóveis, aço e alumínio já estavam submetidos a taxas elevadas e, portanto, não sofreram alterações.
O vice-presidente citou, por exemplo, a importância do café brasileiro para o mercado americano: “Eles tomam aquele café grandão e precisam do nosso café arábica para o blend. Primeiro vamos trabalhar para baixar a tarifa. Eles não produzem café”, afirmou.
Além do café, Alckmin disse que pretende negociar a retirada de outros itens da lista, como suco de laranja, manga e mel. O setor pesqueiro, frutícola, bovino e industrial estão entre os mais prejudicados.
Proteção ao emprego e meta fiscal
Diante dos impactos do tarifaço, o governo estuda um plano emergencial de proteção ao emprego nos setores afetados. Segundo Alckmin, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve definir as medidas nos próximos dias. “Vamos buscar alternativas de mercado e apoiar setores. Ninguém vai ficar desamparado”, garantiu.
Sobre a situação fiscal, o vice-presidente sugeriu que os gastos com apoio aos trabalhadores prejudicados pelo tarifaço podem ser retirados do teto de gastos e da meta fiscal, ainda que isso represente um aumento da dívida pública, já considerada elevada para países emergentes.
Defesa de Moraes e crítica às sanções
Alckmin também comentou a sanção imposta pelo governo Trump ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), por meio da Lei Magnitsky, que prevê punições a autoridades estrangeiras acusadas de violar direitos humanos.
O vice-presidente repudiou a medida e saiu em defesa da separação de poderes e da soberania brasileira, ecoando o posicionamento do presidente Lula, que em nota oficial classificou a sanção como uma "interferência inaceitável no Judiciário brasileiro".
“Não damos como assunto encerrado. A negociação mais forte começa agora”, reiterou Alckmin ao encerrar sua participação no programa.
0 Comentários