
Mangas tommy que iriam para os EUA estão na árvore em Casa Nova, Bahia — Foto: Hidherica Torres/Acervo Pessoal
Porto Velho, Rondônia - Uma decisão do governo dos Estados Unidos está prestes a causar um colapso na produção de mangas brasileiras. A partir de 6 de agosto, uma tarifa extra de 50% será aplicada à importação de frutas do Brasil, medida que inviabiliza economicamente a exportação da fruta mais vendida pelo país no mercado internacional. O Vale do São Francisco, região entre Pernambuco e Bahia, onde se concentra a maior parte da produção nacional, já sente os efeitos da decisão.
Com as mangueiras carregadas e prontas para a colheita, produtores como Hidherica Torres, em Casa Nova (BA), foram surpreendidos pelo cancelamento das remessas destinadas aos portos americanos. “Estou com medo de a manga ficar jogada no chão e o trator passar por cima. Enfim, virar lama”, lamenta.
A medida faz parte de um pacote de sanções econômicas assinadas pelo presidente americano Donald Trump, que inclui exceções para aeronaves, suco de laranja e petróleo — mas não para frutas. A notícia frustrou expectativas no setor, especialmente após o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, sugerir que frutas tropicais poderiam ser isentas.
Mercado saturado e preços em queda
Mesmo antes da entrada em vigor da tarifa, o impacto já é sentido nos pomares e mercados. A redireção da produção originalmente destinada aos EUA para outros países — como Canadá, Europa ou mesmo o mercado interno — tem provocado uma superoferta. Resultado: preços despencaram.
José Nilton Gonçalves, pequeno produtor em Lagoa Grande (PE), diz que o preço do quilo da manga tommy caiu de R$ 6 no início do ano para menos de R$ 0,80. “Desse jeito, não dá nem para tirar a despesa”, afirma. Já Aleska Martins, produtora em Petrolina, relata que tem oferecido mangas “de graça” para tentar esvaziar os pomares. “Mesmo assim, não estou conseguindo. Dizem que nem vale o custo de retirar do pé.”
Segundo o Sindicato dos Produtores Rurais de Petrolina (SPR), 92% das mangas do Vale são destinadas à exportação. Cerca de 15% vão para os EUA, mas o volume é concentrado justamente entre agosto e outubro — meses que agora representam incerteza para os produtores. Para exportar aos EUA, as frutas precisam seguir rigorosas exigências sanitárias, o que torna o processo ainda mais caro e difícil de redirecionar para outros mercados.
Produção encalhada e futuro incerto
Além dos impactos imediatos, especialistas alertam que a economia da região pode ser duramente afetada. “As grandes empresas exportadoras deixam de comprar dos pequenos e médios produtores. Isso se espalha por toda a cadeia”, explica Eduardo Nakahara, da empresa Frutecer.
A Europa, principal mercado da manga brasileira (com 80% das exportações), também não é capaz de absorver o excedente. A atual boa safra em países como a Espanha agrava a concorrência e amplia a crise. “O Brasil não tem como absorver essa manga toda. E o resto do mundo também não”, alerta o agrônomo Gilson dos Santos.
Além dos impactos imediatos, especialistas alertam que a economia da região pode ser duramente afetada. “As grandes empresas exportadoras deixam de comprar dos pequenos e médios produtores. Isso se espalha por toda a cadeia”, explica Eduardo Nakahara, da empresa Frutecer.
A Europa, principal mercado da manga brasileira (com 80% das exportações), também não é capaz de absorver o excedente. A atual boa safra em países como a Espanha agrava a concorrência e amplia a crise. “O Brasil não tem como absorver essa manga toda. E o resto do mundo também não”, alerta o agrônomo Gilson dos Santos.
Falta de apoio e cobrança por medidas
Os produtores criticam a falta de resposta do governo federal. “Estão medindo forças com os EUA, mas quem está pagando a conta somos nós”, protesta Jailson Lira, presidente do SPR. A entidade também cobra um plano emergencial para lidar com os efeitos da tarifa, como estímulo ao consumo interno ou apoio logístico para novos mercados.
Enquanto isso, produtores tentam buscar soluções por conta própria. “Imagina fazer uma campanha para incentivar o povo brasileiro a consumir mais manga. Suco de manga, mousse de manga, tudo com manga”, sugere Nakahara.
Em 2024, o Brasil exportou 258 mil toneladas da fruta, gerando quase R$ 2 bilhões. Só os EUA responderam por R$ 255 milhões em compras no ano passado. Com a tarifa, esse valor está ameaçado — e os frutos, também.
Os produtores criticam a falta de resposta do governo federal. “Estão medindo forças com os EUA, mas quem está pagando a conta somos nós”, protesta Jailson Lira, presidente do SPR. A entidade também cobra um plano emergencial para lidar com os efeitos da tarifa, como estímulo ao consumo interno ou apoio logístico para novos mercados.
Enquanto isso, produtores tentam buscar soluções por conta própria. “Imagina fazer uma campanha para incentivar o povo brasileiro a consumir mais manga. Suco de manga, mousse de manga, tudo com manga”, sugere Nakahara.
Em 2024, o Brasil exportou 258 mil toneladas da fruta, gerando quase R$ 2 bilhões. Só os EUA responderam por R$ 255 milhões em compras no ano passado. Com a tarifa, esse valor está ameaçado — e os frutos, também.
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