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Deputada Carla Zambelli é presa na Itália após ser considerada foragida pela Justiça brasileira

Foto de arquivo de 15/05/2025 da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) durante uma coletiva de imprensa na sede de seu partido no bairro de Moema, na zona sul da cidade de São Paulo. — Foto: Felipe Rau/Estadão Conteúdo

Porto Velho, Rondônia – A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) foi presa na manhã desta terça-feira (29), em Roma, capital da Itália, após ter sido considerada foragida pela Justiça brasileira. A informação foi confirmada pelo Ministério da Justiça do Brasil, que já havia formalizado o pedido de extradição à Interpol e às autoridades italianas. A prisão ocorreu em um apartamento localizado na região central da cidade.

Zambelli havia deixado o Brasil no fim de maio de 2025, logo após o Supremo Tribunal Federal (STF) condená-la a 10 anos de prisão por envolvimento na invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Segundo a Corte, ela teria atuado em parceria com o hacker Walter Delgatti Neto, que também foi condenado e está preso.

O parlamentar italiano Angelo Bonelli afirmou em sua conta na rede social X (antigo Twitter) que forneceu à polícia o endereço onde a deputada brasileira estava escondida. “Carla Zambelli está em um apartamento em Roma. Forneci o endereço à polícia. Neste momento, a polícia está identificando Zambelli”, escreveu Bonelli.

Processo de extradição pode ser longo

O nome de Zambelli já constava na lista vermelha da Interpol, o que permitiu sua detenção fora do território brasileiro. De acordo com o Ministério da Justiça, a prisão preventiva foi realizada com base nesse mandado internacional, e agora as autoridades italianas têm até 48 horas para validar a detenção e marcar uma audiência sobre o processo de extradição.

Especialistas em direito internacional alertam que o processo pode se estender por meses — ou até anos —, especialmente porque a parlamentar possui cidadania italiana e manifestou interesse em ser julgada pela Justiça local. Em declarações após a prisão, Zambelli negou envolvimento na invasão e acusou Delgatti de mentir em seus depoimentos.

Relembre o caso

A condenação de Zambelli está relacionada à invasão hacker aos sistemas internos do CNJ, em janeiro de 2023. De acordo com a investigação, a parlamentar teria atuado de forma direta ao repassar informações e dar suporte técnico e político a Delgatti, que assumiu a autoria do crime cibernético.

Além da pena de reclusão, o STF determinou a perda do mandato de Zambelli, o que ainda precisa ser analisado pela Câmara dos Deputados. Desde a decisão, a ex-parlamentar vinha se deslocando entre os Estados Unidos e a Europa, até fixar residência em Roma, onde foi localizada pela polícia italiana.

O governo brasileiro segue acompanhando o caso e aguarda os trâmites legais da Justiça italiana para avaliar a possibilidade de retorno de Zambelli ao Brasil sob custódia.

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